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Consumo de pescado em grávidas e bebés

O consumo de pescado faz parte da cultura gastronómica portuguesa, não fossemos nós o país das 1001 formas de cozinhar bacalhau!


O pescado é uma fonte de proteína de fácil digestão e conta com uma grande riqueza nutricional como a presença de ómega-3, proteínas de alto valor biológico e vitaminas e minerais essenciais como o selénio, iodo, fósforo, vitamina D, B1 e B12.

Devido essencialmente aos ácidos gordos ómega-3, um padrão alimentar com um consumo moderado de peixe está associado a benefícios ao nível do neurodesenvolvimento do feto durante a gravidez e na proteção da saúde cardiovascular ao longo da vida.


Contudo, apesar dos tantos benefícios, o consumo de pescado também apresenta alguns riscos,nomeadamente a contaminação por metais pesados e xenobióticos, isto é, substâncias estranhas ao organismo como o metilmercúrio e os microplásticos provenientes de fenómenos naturais – como vulcões e poluição - como atividade de mineração e fábricas.

Devido ao surgimento destes problemas de saúde pública e a par de Portugal ser um dos maiores consumidores de peixe a nível mundial, houve a necessidade de estipular recomendações de consumo para os vários tipos de pescado.

As primeiras recomendações oficiais que existiram sobre o consumo de pescado em grávidas, bebés e crianças pequenas foram divulgadas pela ASAE e centraram-se na problemática do mercúrio. Estas recomendações esclareciam-nos acerca do pescado com maior e menor teor de metilmercúrio e recomendavam diferentes frequências de consumo.




Novas recomendações sobre o tema


No dia 16 de maio de 2023, após vários estudos de investigação, foram apresentados novos dados por um grupo de pesquisa promovido pela Direção Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV), que integrou a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP).

Este grupo de trabalho fez uma avaliação do risco-benefício para o consumo dos vários tipos de pescado mais consumidos em Portugal e as conclusões a que chegaram foram as seguintes:

· Mulheres grávidas, mulheres a amamentar, bebés e crianças até aos 10 anos podem comer 3-4 vezes por semana espécies com baixo e médio teor de mercúrio e devem evitar as espécies com alto teor de mercúrio;


· Espécies com médio e baixo teor de mercúrio mais consumidas em Portugal: Abrótea, atum em conserva, bacalhau, cantarilho, carapau, cavala, chicharro, choco, corvina, dourada, faneca, garoupa, linguado, lula, perca, pescada, polvo, pota, pregado, raia, "redfish“, robalo, rodovalho, salmão, salmonete, sarda, sardinha, sargo, solha, tamboril e truta;

·

Espécies com elevado teor de mercúrio: Atum fresco, cação, espadarte, maruca, pata roxa, peixe-espada e tintureira.


As principais diferenças destas recomendações para as recomendações feitas inicialmente pela ASAE estão na forma de agrupar os peixes – passou a haver uma única lista que não diferencia o pescado com baixo e médio teor de mercúrio – e passaram a existir novas espécies que não estavam no grupo de elevada contaminação, nomeadamente o cação, espadarte, maruca, pata-roxa e peixe-espada.





A nossa posição


O tema da contaminação do peixe com xenobióticos é bastante controverso, uma vez que a própria evidência científica não aponta para um caminho único no que toca a recomendações universais.

Um exemplo disso é a recomendação para consumir de forma regular pescada, tanto pelas primeiras recomendações da ASAE como pelo grupo promovido pela DGAV, contudo em janeiro de 2023 foi publicado um estudo por investigadores portugueses que alertaram para a elevada contaminação por mercúrio em pescadas de grande porte - com mais de 1kg – em território nacional.

Na presença de recomendações tão heterogéneas, é preciso ser-se critico e utilizar o bom senso, sendo que as nossas recomendações se mantêm como têm sido até aqui:

- Grávidas, mulheres a amamentar, bebés e crianças até aos 10 anos não devem consumir pescado com altor teor de mercúrio (anunciados na nova lista oficial);

- Devem preferir peixes de porte pequeno (sofrem menor bioacumulação de metil mercúrio);

- Devem variar ao máximo o consumo;

- Por precaução, optem por um consumo de peixe 2 a 3 vezes/semana, contudo não será dramático se numa semana consumirem/oferecerem 4 vezes;

- Reduzir a oferta de peixe não é sinónimo de aumentar a oferta de carne, idealmente devem aumentar o número de refeições com ovo e leguminosas ou alternativas vegetais como o tofu – desta forma conseguem alcançar as bases da dieta mediterrânica (75% dos alimentos diários devem ser de origem vegetal);

- Devem preferir peixe ao natural (bacalhau seco e atum em lata têm elevado teor de sal);

- Devem preferir atum em conservas de vidro (latas não são livres de BPA) e em bebés optar pelas que têm menor teor de sal e antes de confecionar demolhar para eliminar o excesso.


No geral o que se preconiza é ter uma alimentação o mais completa, equilibrada e variada possível, ou seja, consumir um pouco de tudo em quantidades moderadas e, no caso do pescado, variar no tipo de espécie, desta forma irá conseguir beneficiar da nutrição deste grupo alimentar sem pôr em causa a sua saúde e do seu bebé!


A Equipa BebéFoodie

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